O que na verdade a indústria de alimentos embutidos e enlatados faz é triturar um monte de viscerazinhas, cartilagenzinhas e temperar com ilusivos compostos o produto final. A apreciação condimentada e, não menos óbvio, condicionada, é conseqüência da sensação de estar comendo algo refinado, saboroso.
Há quem coma de tudo: sarapatel à milanesa, bobó de polenta, rabo-de-boi à parmegiana, nhoque de beterraba, cerejas com alcaparras, buchada ao vinho branco. Logo não podemos falar em paladares apurados quando os ingredientes estão tão coesos, misturados, confusos. O que acontece é pessoas consumindo "qualquer coisa" por terem "quaisquer paladares" ou interesse gustativo "qualquer".
Da mesma forma, a indústria da cultura, de produtos diversos, texturizam o áspero e médio "sabor" a fim de disfarçar o gosto do público com toques de sensacionalismo e de pertença cultural.
Uma série de músicas medianas, de pouco rigor sonoro e menos literário, programas de opiniões laterais com abordagens limitadas são exemplos de "enlatados" ao dispor da massa. Assim como os alimentos indutrializados, elas são de fácil consumo, rápida absorção e ínfima análise.
Alguns links seguem para que "deleite-se" ou se "delete". Vai da predisposição particular...
Destinado às pessoas que não estão nem aí pra o que se passa com elas mesmas e querem mais é saber da vida dos outros... um portal fetichioso: o tédio consegue falar de si mesmo.
Parada obrigatória aos apreciadores do "kitut musical": aquele que você bota no pão e joga pra dentro sem medo do que vai dar no final... aí você dá uma "pisadinha" na cultura refinada e a(massa).
Um show neo-premonitivo de uma ressurreição caricata da figura de um salvador anônimo e de pouco apelo pop. Aos que energizam-se ao ler sobre fakes humanos, este é ainda um muito fraco...
Àqueles com a máxima disposição ao contágio anti-Lula, com vocação à miscelânea de abordagens numa só revista. A enciclopédia do PFL. Em números, a Veja quer dizer 25...
Em suma, são várias as mingongas prontinhas, as quentinhas mais que digestivas feitas para a massa cultural. Eu, particularmente, as vejo no meio da farofa digital, nos escombros musicais e regurgito: ...blargh!
Um comentário:
Tito, adorei a pitada de humor que você deu ao blog, alias ele esta muito bem construido, vcs têm muita criativa... Parabens!!!
Meg Saiara
Postar um comentário